domingo, 13 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
conto de carnaval por clarisse lispector (SEM PALAVRAS!)
Clarice Lispector, conto
Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa já ia se aproximando, como explicar a agitação que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu.
No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.
Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com os quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira.
Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem. Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.
Mas quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge - minha mãe de súbito piorou muito de saúde.
Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me. Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido, sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.
Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa.
in "Felicidade Clandestina"
Verdes Mares - José de Alencar
foto de sebastião algado.
A lufada intermitente traz da praia um eco vibrante, que ressoa entre o marulho das vagas:
— Iracema!...
O moço guerreiro, encostado ao mastro, leva os olhos presos na sombra fugitiva da terra; a espaços o olhar empanado por tênue lágrima cai sobre o jirau, onde folgam as duas inocentes criaturas, companheiras de seu infortúnio.
Nesse momento o lábio arranca d’alma um agro sorriso.
Que deixara ele na terra do exílio?
Uma história que me contaram nas lindas várzeas onde nasci, à calada da noite, quando a Lua passeava no céu argenteando os campos, e a brisa rugitava nos palmares.
Refresca o vento.
Enquanto vogas assim à discrição do vento, airoso barco, volva às brancas areias a saudade, que te acompanha, mas não se parte da terra onde revoa.
(“Iracema - capítulo 1” - Fundação Biblioteca Nacional)
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Deve-se conhecer as causas da deterioração para então se poder afastá-las
até que ponto quem te julga mal não queria ser você? pense nisso e não dê ouvidos à maldade.
a verdade seja dita mas são poucas as vezes que o caminho "padrão" é o que nos faz feliz. pode ser o caminho mais fácil mas não é o mais verdadeiro. para ser feliz e seguir seu caminho é preciso ter a tal da coragem, que na falta dela e no futuro próximo fazem surgir de mansinho a frustração e logo ali a inveja descabida. todo cuidado é pouco. quando sentir inveja de alguém, em primeiro lugar, perdoe-se, mas assuma aonde você se frustrou na sua vida e corra atrás do prejuízo imediatamente, por mais impossível que pareça. sentir inveja dói demais no coração de quem sente. e todos nós sabemos o que é isso, pois somos humanos. não envelheça julgando e tendo raiva de ninguém. a gente tem que morrer velho e sábio. generoso e paciente. em equilibrio com o tempo e sabendo lidar cada vez melhor com a vida.
quanto mais trabalho com a ilusão, mais eu aprendo sobre a vida real e o seu verdadeiro valor.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
o que mora longe mas sempre está
olha ele lá! sob o seu olhar, como agradecer?
mestre e amigo. eumir deodato.
"soul mates"
uma versão com letra em português da dadá:
uma vez tentei buscar
alma gêmea encontrar..
somos a mesma moeda..
os ldos são diferentes,
tão carregados de iguais..
basta misturar..
falando sobre as almas gêmeas..
...
(emocionante!!!)
ps. a dadá é a mãe do hique. o maestro disso tudo..
quando a gente reza, os anjos aparecem e falam com a gente
e se a gente tiver sorte, eles tocam piano e sorriem também. e dão uma música linda para colocar a letra e tirar nosso sono. um presente e responsabilidade. uma melodia de rara beleza..agradeço as minhas preces atendidas. obrigada senhores do universo, que sejamos instrumentos para a paz e harmonia entre os nossos. um dia..amém
ps. esses anjos são amigos dos guardiões da floresta, fica tudo em casa!
o amor sabe que é amor? ou pensa que é bomba?
“o amor quando soube que era amor “
(tigra/carlinhos brown/daniela procopio)
pediu companhia prá todo dia
amor de madrugada fria
mão com mão
arroz com feijão
amor prá demasia
amor dizer não ia
se eu não dou um empurrão
amor dizer não ia
se eu não cego a tua mão
o amor quando soube que era amor
pediu poesia prá todo dia
amor de amanhecer tranquilo
mão com mão
ouvir respiração
amor de maresia
amor dizer não ia
se eu não dou um empurrão
amor dizer não ia se eu não cego a tua mão
o amor não pode virar bomba
mas vem a tona que nem tormenta
o amor não pode virar bomba
amor se rega se alimenta
amor, amor, amor é pra dar
o amor não pode virar bomba
mas vem a tona que nem tormenta
o amor não pode virar bomba
amor se rega se alimenta
amor é pra ter
não pra carregar.
Nunca me entorne seu amor
E não me sirva solidão
Isso não serve prá descer do céu
E eu não quero carregar o chão
Amor não serve prá beber a dor
Não quero fuga para solidão
Eu não quero isso não, assim não
Prá mim não, por mim não
Eu não quero não
ele veio de uma terra telúrica,
andou pelo oriente e foi parar numa ilha da Italia, quando cantou de presente
"Love in Changhai", música que ele mesmo compôs para "Gueixa Tropical", com letra em
inglês e tudo! muito chic! olha só essa gueixa tá começando muito metida! que beleza de música, muito bom gosto! obrigada nizan e obrigada donata ;-)
ps. tem uma garota morrendo de vergonha do lado dele, tentando aprender a música, nervosa e feliz..mas não sabemos quem é, desculpa os erros haha!!!
não!
conselhos de um sábio
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